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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Saúde pública sofre com insegurança das regras.

O plano de produzir extrato de andiroba da Amazônia como potente antialérgico e anti-inflamatório, mais barato e sem os efeitos colaterais dos medicamentos tradicionais, tinha tudo para obter êxito no mercado. A patente havia sido depositada e o contrato de transferência de tecnologia entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a empresa Biolab já estava pronto. Mas acabou engavetado, após anos de investimento e desenvolvimento de inovação, porque o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) exigiu a informação sobre qual comunidade detém o conhecimento tradicional sobre uso da planta, visando a repartição dos benefícios com a venda do produto.

"Como ninguém descobriu o beneficiário, não tivemos autorização para produzir e agora qualquer um pode retirar andiroba da floresta venezuelana ou boliviana para beneficiar lá fora e vender para o Brasil", lamenta o diretor da empresa, Márcio Falci.

"É tempo e dinheiro indo para o ralo", afirma o executivo, lembrando que atualmente 90% dos fitoterápicos vendidos no Brasil são importados. Diante dessa realidade, após ter assinado o Protocolo de Nagoya, "o Brasil acabará pagando royalties pelo uso da biodiversidade, em vez de ser beneficiado pela riqueza de recursos que possui", comenta Falci. Entre os produtos da biodiversidade que a empresa desenvolve está o filtro solar à base de buriti - palmeira nativa do Norte e Nordeste. Com fator de proteção 100 e maior durabilidade que os convencionais, a novidade foi alvo de recente multa aplicada pelo Ibama por problemas com a autorização de uso do recurso genético.

"É lamentável uma área tão estratégica para o país ter uma legislação difícil de ser implementada", afirma Celeste Emerick, da Coordenação de Gestão Tecnológica da Fiocruz, ex-participante do CGEN. Ela adverte: "Tudo o que os brasileiros publicam em inovação neste campo está sendo incorporado pelos países ricos". Em sua análise, internamente no Brasil a tendência é o redirecionamento dos investimentos em biodiversidade, com impactos negativos para a saúde pública.

A Fiocruz, maior instituição brasileira de pesquisa no setor, tem orçamento de R$ 2,3 bilhões para 2011, 60% superior ao do ano passado. Ao longo dos últimos anos, construiu sedes em diferentes regiões do país e produz anualmente 630 milhões de comprimidos e doses de vacina. No entanto, a instituição tem hoje apenas cinco licenças para transferência de tecnologia em vigor.

"A melhoria das regras de acesso ao patrimônio genético, com menos burocracia, contribuiria para aumentar esses números", ressalta Celeste. A estratégia da instituição é pesquisar potenciais plantas de uso medicinal, desenvolver tecnologia para a sua transformação em novos produtos e transferi-la para o mercado, gerando benefícios principalmente para o controle de doenças tropicais, nem sempre atendidas pelos laboratórios farmacêuticos multinacionais. "O objetivo é alcançar produtos que viabilizem políticas públicas em saúde", explica Celeste.

Exemplo recente é a pastilha produzida a partir de bactérias da biodiversidade brasileira, capaz de se desintegrar na água e agir eficientemente por 25 dias nos reservatórios, com poder de paralisar a boca das larvas do mosquito da dengue, matando-as de fome e infecção. A nova solução contra a doença está sendo transferida pela Fiocruz para produção em escala comercial na empresa BR3 Agrobiotecnologia, de São Paulo, especializada em debelar pragas. O produto biológico nacional substituirá com vantagens o similar cubano hoje importado pelo Ministério da Saúde, que gasta no total R$ 19,4 milhões por ano em inseticidas para o controle do inseto transmissor da dengue.

"Projetada com base na realidade brasileira, a tecnologia apresenta efeito mais duradouro no ambiente e reduzirá o volume de inseticidas químicos", conta a pesquisadora Elizabeth Sanches. Também chegam ao mercado produtos para o controle biológico dos transmissores da malária e da filariose.

No caso da aids, a novidade é o emprego de algas marinhas da costa brasileira para o desenvolvimento de substâncias antivirais, úteis tanto na prevenção como no tratamento da doença. O produto, em fase de patenteamento, tem como diferencial a baixa toxicidade ao organismo humano, com desempenho equivalente a medicamentos já em uso no mercado. Em cooperação com o Saint George´s University of London, na Inglaterra, os pesquisadores iniciarão os testes clínicos, após aprovação já verificada em laboratório, absorvendo investimentos de R$ 2 milhões. "O novo medicamento poderá representar uma economia de 15% nos custos do governo com testes e tratamento de aids, que somam R$ 1 bilhão por ano", informa o pesquisador Luiz Roberto Castello Branco.
Fonte: VALOR – SP

domingo, 25 de setembro de 2011

a metformina agora é usada para emagrecer !!!!!!!????!!!!!!!

Há uma novidade no arsenal químico contra a obesidade: a metformina, um remédio usado há mais de trinta anos no tratamento do diabetes tipo 2. Vendido sob nomes comerciais como Glifage, Dimefor e Glucoformin, o medicamento promove tanto a perda de peso quanto a redução da gordura visceral – aquela que se concentra ao redor do abdômen e que, como mostram pesquisas médicas, faz um mal danado à saúde ao multiplicar os riscos cardíacos. "É temerário prescrever a metformina apenas como remédio para emagrecer, porque ela não é recomendada para esse fim", afirma o endocrinologista Walmir Coutinho, vice-presidente da Federação Latino-Americana de Sociedades de Obesidade. Ainda que seus efeitos colaterais não sejam severos (diarréia é o mais freqüente), falta atestar sua segurança em pacientes que não têm diabetes.

A adoção da metformina nos programas de emagrecimento é reflexo das últimas pesquisas sobre os laços (bastante estreitos) entre diabetes e obesidade. "Descobriu-se que o hormônio insulina é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da obesidade", diz o endocrinologista Alfredo Halpern, da Universidade de São Paulo (USP). A insulina é responsável por retirar o açúcar da circulação sanguínea e jogá-lo para dentro das células, onde é transformado em energia. Nos portadores de diabetes tipo 2, porém, as células não respondem à ação do hormônio, o que exige que o pâncreas produza grandes quantidades dele. A obesidade surge como subproduto desse processo, já que, em demasia, a insulina faz com que o organismo produza mais gordura. A metformina age aumentando a sensibilidade das células a esse hormônio. Ou seja, evita seu acúmulo no sangue.

A perda de peso proporcionada pela metformina varia de 5% a 7% do peso inicial, e a redução da circunferência abdominal pode chegar a 3 centímetros (veja quadro abaixo). A metformina só funciona, contudo, quando acompanhada de uma dieta pobre em alimentos de alto índice glicêmico, como os carboidratos. Isso porque, depois de ingeridos, esses alimentos são rapidamente transformados em glicose – e, em resposta ao aumento da presença desse açúcar, o organismo produz mais insulina, o que pode neutralizar o efeito do remédio. "É preciso também praticar exercícios físicos, para que os músculos queimem o açúcar circulante no organismo", diz o endocrinologista Geraldo Medeiros, também da USP. Ou seja, a metformina, por si só, não faz milagres. Nada faz, aliás. Corra para a academia, querida.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Anvisa publica normas sobre fórmulas destinadas à alimentação de crianças.

BRASÍLIA - As fórmulas destinadas à alimentação de lactentes e crianças de 6 meses a 3 anos de idade terão regras específicas. Quatro resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicadas nesta quinta, 22, no Diário Oficial da União atualizam as normas brasileiras para a fabricação dessas fórmulas.

As normas dirigidas às características de identidade e qualidade desses produtos são resultado de um processo de revisão técnica dos critérios de composição, os incluindo limites das vitaminas e minerais permitidos na composição.

Foram definidas também regras específicas e atualizada para as fórmulas infantis destinadas a lactentes e crianças de 6 meses a 3 anos com necessidades dietoterápicas, ou seja, com restrições alimentares especiais como alergia à proteína ou intolerância à lactose.

Uma das principais mudanças é a definição de limites máximos para todas as vitaminas e minerais permitidos nesse tipo de alimento. Substâncias como a gordura hidrogenada e o mel - que não deve ser ingerido por crianças com menos de 1 ano de idade - também estão vedadas para utilização em fórmulas infantis.

As regras restringem ainda o uso de aditivos. A lista das substâncias permitidas, por apresentarem segurança comprovada, estão na edição desta quinta-feira do Diário Oficial da União.

A publicação das resoluções é resultado da revisão de uma portaria do Ministério da Saúde baseada nas novas referências utilizadas em todo o mundo para esse tipo de produto e na atualização das normas do Codex Alimentarius, programa da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

As resoluções também estabelecem novas frases de advertência para os rótulos de alimentos. Nos produtos para lactentes com presença de probióticos, por exemplo, deve constar: "Este produto contém probióticos e não deve ser consumido por lactentes prematuros, imunocomprometidos [com deficiências no sistema imunológico] ou com doenças do coração".

Para se adequar às regras sobre as fórmulas infantis, os fabricantes terão o prazo de 18 meses. Já para se adequar à norma sobre aditivos e coadjuvantes, o prazo é menor, 180 dias.
Fonte: ESTADÃO ON LINE – SP
Agência europeia vai revisar segurança do emagrecedor Xenical.

A EMA (agência europeia de medicamentos) vai revisar dados de segurança de remédios que contenham o princípio ativo orlistate, como o Xenical, da Roche.

Casos raros de danos severos ao fígado foram relatados após o uso da droga. Isso pode prejudicar o perfil de risco-benefício do remédio.

O orlistate reduz a absorção de gordura para provocar a perda de peso. O risco de efeitos colaterais para o fígado já é bem conhecido, segundo a nota divulgada pela agência. A revisão vai se concentrar nos danos mais graves ao órgão.

Vinte e um casos de problemas hepáticos estão sob suspeita, sendo que quatro deles são mais graves, envolvendo uma morte por falência do fígado, um caso de transplante e dois de hepatite. Esses relatos foram feitos entre agosto de 2008 e janeiro deste ano. Ao todo, desde 1997, foram 21 casos suspeitos de toxicidade grave para o fígado que podem ter sido causados por uso do orlistate.

A agência destaca que os problemas devem ser analisados levando em conta o uso cumulativo da droga por 38 milhões de pessoas.

Um comitê está revisando os dados sobre a toxicidade dos remédios e vai emitir um parecer dizendo se a autorização de venda deve ser revogada, suspensa ou alterada.
A Roche foi procurada pela reportagem, mas não tinha um porta-voz disponível.
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO – SP
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

LINFOMA

Linfoma não Hodgkin. Entenda a doença.

O que são linfomas não Hodgkin?
O linfoma não Hodgkin é uma neoplasia do sistema linfático que se caracteriza pela multiplicação descontrolada de células linfáticas, formando tumores.
Ele pode ser indolente (de crescimento lento) ou agressivo (de crescimento rápido), ou possuir características dos dois tipos. O linfoma de células B é o tipo mais comum e o linfoma de células T é o menos comum.
Quais são os fatores de risco?
Os poucos fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento de Linfomas não Hodgkin são:
  • Comprometimento do sistema imune como consequência de doenças genéticas hereditárias, uso de medicação imunossupressora e infecção pelo HIV. Estes fatores têm sido relacionados ao maior risco de desenvolver linfomas. Pacientes portadores dos vírus Epstein-Barr, HTLV1 e da bactéria Helicobacter pylori (que causa úlceras no estômago) têm risco aumentado para alguns tipos de linfoma;
  • A exposição a pesticidas, solventes, herbicidas, inseticidas e fertilizantes pode estar ligada ao desenvolvimento de linfomas não Hodgkin;
  • Exposição a altas doses de radiação.

Quais são os sintomas?
  • Aumento dos linfonodos do pescoço, axilas e/ou virilha;
  • Sudorese excessiva à noite;
  • Febre (na maioria das vezes é uma febre baixa e persistente);
  • Prurido (coceira na pele);
  • Perda de peso não explicada por outras causas.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico não é simples. Geralmente exige a realização de vários exames, que permitem determinar o tipo de linfoma e esclarecer informações úteis para a decisão do tratamento a ser empregado.
A biópsia, procedimento no qual é retirada uma pequena porção de tecido (em geral dos linfonodos) para análise em laboratório de anatomopatológico, é considerada o padrão de qualidade para o diagnóstico dos linfomas.
Outros exames complementares podem ser necessários parar definir melhor o tipo e a localização do tumor (como, por exemplo, punção aspirativa, radiografias de tórax, tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, cintilografia, estudos celulares ou de biologia molecular, dentre outros).

Como é feita a classificação dos linfomas não Hodgkin?
Após o diagnóstico, a doença é classificada de acordo com o tipo de linfoma e o estágio em que se encontra (sua extensão).
Os linfomas não Hodgkin são agrupados de acordo com o tipo de célula linfoide (linfócitos B ou T). Também são considerados tamanho, forma e padrão de apresentação na microscopia. Para tornar a classificação mais fácil, os linfomas podem ser divididos em dois grandes grupos: indolentes e agressivos.
Os linfomas indolentes têm um crescimento relativamente lento. Os pacientes podem apresentar poucos sintomas por vários anos, mesmo após o diagnóstico. A cura é menos provável do que nos pacientes com formas agressivas de linfoma.
Os linfomas agressivos podem levar rapidamente ao óbito se não tratados, mas, em geral, são mais curáveis.
Os linfomas indolentes correspondem aproximadamente a 40% dos diagnósticos e, os agressivos, aos 60% restantes. Cerca de 70% destes são curáveis.

Por que fazer o estadiamento da doença?
Uma vez diagnosticada e classificada a doença, faz-se o estadiamento. O estadiamento consiste em determinar a extensão da doença no organismo do paciente. São estabelecidos 4 estágios (enquanto no estágio I há envolvimento de apenas um grupo de linfonodos, no estágio IV há envolvimento disseminado).
Cada estágio é subdividido em A e B (por exemplo, estágios 1A ou 2B). O "A" significa assintomático. O “B”, presença de sintomas.

Como é feito o tratamento?
A maioria dos linfomas são tratados com quimioterapia, radioterapia, ou ambos. Em alguns casos é usada a imunoterapia, incluindo anticorpos monoclonais e citoquinas, isoladamente ou associados à quimioterapia.
O transplante de medula pode ser uma opção terapêutica.

Qual é o tipo de linfoma diagnosticado no ator Reynaldo Gianecchini?
O ator foi diagnosticado com o linfoma de células T angioimunoblástico, um tipo incomum e mais agressivo de linfoma não Hodgkin. A doença é identificada por alterações genéticas nos linfócitos T (células responsáveis pela defesa do organismo contra infecções). Ter um bom estado geral de saúde e ser jovem são fatores que facilitam o tratamento e ampliam a possibilidade de cura do ator.
O linfoma de células T angioimunoblástico é raro, acometendo em média 10% dos pacientes com linfoma não Hodgkin. A grande maioria (90%) é diagnosticada com o linfoma não Hodgkin do tipo B - o mesmo tipo diagnosticado na presidente Dilma Rousseff, considerado mais comum e menos agressivo.
ABC.MED.BR, 2011. Linfoma não Hodgkin. Entenda a doença.. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/235390/linfoma+nao+hodgkin+entenda+a+doenc.htm>. Acesso em: 22 set. 2011.

 
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