terça-feira, 28 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
O Farmacêutico, o Dono da Farmácia e o Balconista.
O Farmacêutico, o Dono da Farmácia e o Balconista.
Historicamente estes três atores – o farmacêutico, o dono da farmácia e o balconista – vivem situações de conflito de interesses onde posturas e objetivos, muitas vezes chocam-se contundentemente com prejuízos na maioria das vezes para o profissional farmacêutico. No meio de uma saraivada de conceitos e de interesses próprios está o coitado do cliente, usuário do medicamento.
Talvez seja o balconista aquele que menos responsabilidade tenha nesta questão, visto que não tem a formação acadêmica para entender os verdadeiros riscos do uso irracional de medicamentos, ao mesmo tempo em que é seduzido com bônus sobre vendas. É um trabalhador que segue as regras do negócio e as determinações do seu patrão, podendo aumentar os seus ganhos em função do que consegue aumentar em valores no caixa.
Não há treinamento dado a balconista que resista a uma pergunta básica se a ela o Farmacêutico não consegue responder. A pergunta simples e direta é “O que eu ganho com isto”. Quando o dono da farmácia, fala em comissões sobre a venda, esta pergunta não só é respondida com facilidade como as vantagens são evidentes...
Não existirá legislação, treinamento, fiscalização e multas que venham minimizar de maneira significativa os riscos para os consumidores de medicamentos na seara da “empurroterapia”. Pelo menos enquanto, da nossa parte, não pudermos criar um ambiente no qual possamos responder para muitos donos de farmácias e para os muitos balconistas o que eles ganham nos acompanhando e aceitando a nossa maneira de ver e lidar com as questões da farmácia. Esta responsabilidade é nossa.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Exercício ou sertralina melhora sintomas depressivos em cardiopatas quando comparados ao placebo, em estudo publicado pelo JACC
O objetivo do estudo, publicado pelo Journal of the American College of Cardiology (JACC), foi avaliar a eficácia do exercício e da medicação antidepressiva (sertralina) na redução dos sintomas1 depressivos e na melhoria dos biomarcadores cardiovasculares em pacientes deprimidos com doença cardíaca coronária.
Cento e um pacientes com doença cardíaca coronária e sintomas1 depressivos graves foram submetidos à avaliação de depressão, incluindo uma entrevista psiquiátrica e uma avaliação usando a escala de Hamilton para depressão (Hamilton Rating Scale for Depression). Os participantes foram randomizados para receberem, durante quatro meses, um dos tratamentos abaixo:
- Realização de exercício aeróbico (três vezes por semana) em um total de noventa minutos por semana.
- Uso de sertralina (50-200 mg/dia).
- Uso de placebo2.
Os resultados, após 16 semanas, mostraram que todos os grupos apresentaram melhora no escore de depressão segundo avaliação usando a Escala de Hamilton para escores de depressão. Os participantes tanto do exercício aeróbio quanto os que usaram sertralina obtiveram reduções maiores nos sintomas1 depressivos comparados aos que receberam placebo2. Exercício e sertralina foram igualmente eficazes na redução dos sintomas1 depressivos. Os exercícios e a medicação tendem a resultar em maiores reduções na variabilidade da frequência cardíaca em comparação com o placebo2. Exercício tende a resultar em maiores reduções na variabilidade da frequência cardíaca em comparação com a sertralina.
Concluiu-se que, tanto o exercício quanto a sertralina , resultaram em maiores reduções de sintomas1 depressivos em comparação com o placebo2 em pacientes com doença cardíaca coronária. As evidências de que os tratamentos ativos podem também melhorar os biomarcadores cardiovasculares sugerem que eles podem ter um efeito benéfico sobre os resultados clínicos, bem como na qualidade de vida.
Fonte: Journal of the American College of Cardiology (JACC), volume 60, de 7 de agosto de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
INCA REALIZA 1º ENSAIO SEM PARTICIPAÇÃO DA INDUSTRIA
Participaram do estudo mais oito centros de pesquisa. Os autores consideram o trabalho um marco na avaliação independente de terapias para câncer no País.
Os cientistas queriam descobrir se a administração de dois medicamentos (pemetrexed e carboplatina) poderia aumentar a expectativa de vida de pacientes com uma forma de câncer de pulmão avançado. 'Hoje, a maioria das pessoas que chegam nessas condições não recebe terapia, pois o benefício ainda não foi comprovado', diz Carlos Gil, chefe da Pesquisa Clínica e Incorporação Tecnológica do Inca.
O trabalho, divulgado no último congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, mostrou que o remédio aumenta a expectativa de vida em três meses. 'Agora precisamos ver se ele é custo-efetivo (se é possível incluí-lo no rol de terapias aprovadas para o SUS)', aponta Gil.
Mais importante que o resultado clínico é o pioneirismo da iniciativa, apontam os pesquisadores. Na conclusão do estudo, eles dizem que o 'teste demonstra a viabilidade de um mecanismo independente para conduzir testes de câncer e representa uma mudança de paradigma em pesquisa clínica na América Latina'.
Segundo o banco de dados do clinicaltrials.gov - mantido pelo governo americano -, 24 testes clínicos de fase 3 para câncer estão recrutando voluntários no Brasil. Todos realizados pela indústria farmacêutica.
Dificuldades
Cerca de 60% dos pacientes incluídos no estudo eram atendidos no Inca. A distribuição desigual revela a principal dificuldade para realizar estudos sem o apoio da indústria. 'A maioria dos centros de pesquisa nas universidades escolhe trabalhar sob a coordenação da indústria para ter acesso à estrutura e aos recursos necessários para realizar os testes', afirma Gil. Por isso, estudos independentes não costumam atrair interesse.
'Há também um problema cultural: muitos grupos em universidades têm dificuldade para realizar parcerias, algo essencial para pesquisas assim. Querem garantir uma visibilidade que cai quando você faz trabalhos em uma rede de pesquisa.'
'O estudo parece promissor', afirma Álvaro Atallah, presidente da Cochrane do Brasil, principal banco de revisões sistemáticas em medicina. Mas ele pondera que os medicamentos ainda foram fornecidos pela indústria farmacêutica Eli Lilly (embora ela não tenha participado do desenho do estudo).
Ele defende que todos os estudos clínicos sejam realizados por entidades independentes. O dinheiro seria pago pela indústria a uma agência que contrataria os responsáveis por conduzir os testes, sem contato - direto ou indireto - com a indústria.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica, João Massud Filho, deixar os testes a cargo de uma agência governamental não resolve o problema. 'Uma pesquisa clínica bem feita independe de quem está financiando', diz. 'O importante é garantir a transparência e o tratamento ético dos sujeitos de pesquisa.' Ele admite que pode haver, em algumas situações, o interesse de limitar a divulgação dos resultados. 'Mas dá para resolver esse problema com uma lei que garanta transparência na divulgação dos dados.'
Taxas
José Ruben de Alcântara Bonfim, coordenador executivo da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos, acredita que nem mesmo as agências reguladoras deveriam cobrar taxas da indústria para avaliar suas propostas de novos medicamentos. E cita como exemplo a nova agência francesa de vigilância farmacológica - a ANSM. Seu orçamento para avaliar a viabilidade de novos medicamentos - cerca de 140 milhões de euros (R$ 355 milhões) - virá exclusivamente dos cofres do Estado.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

10:51
TATI DALLA
